Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas, de Tintas e Vernizes, Sabão e Velas e de Material Plástico/RJ
Filiado à CUT


 
Ano I - No 11 - dezembro/2006

Editora: Jussara Magalhães

Edições anteriores


Clique no título para ler as matérias


A quem interessa impedir 
as mudanças no Brasil?
 


Lula é Lula, Chavez é Chavez


Para quem tem saudade da ditadura...

Comparações políticas 
exigem seriedade e cuidado
 


Leia também o jornal 
O Reagente


 

 

A quem interessa impedir as mudanças no Brasil?

São muitos os burgueses que arrepiam só de pensar em mudança social no Brasil. Eles geralmente são bem nascidos, bem educados e sabem das dificuldades da população necessitada só de ouvirem falar. Nunca passaram fome, nunca procuraram emprego de porta em porta, nunca andaram de ônibus, nunca tiveram goteiras em suas casas.

Esses privilegiados, estudados, educados, se julgam melhores do que o resto do povo. E o pior, muitos deles acabam se instalando em posições de julgamento real, como é o caso dos senhores ministros e juízes das supremas cortes, que interpretam as leis de acordo com os interesses que lhes convém. Não que não hajam ministros e juízes corretos e comprometidos com o certo. Mas vamos falar sério, muitos deles são, vergonhosamente, parciais em seus julgamentos.

No que diz respeito aos seus salários, então, julgam-se acima de qualquer cidadão ou cidadã brasileiros. Para eles tudo, para o povo a lei.

É revoltante assistir ao posicionamento de alguns desses representantes do judiciário, que escondem-se em suas togas e esperam o momento certo para, com suas decisões “divinas”, enterrarem sonhos e anseios do povo.

Causas especiais, que envolvem os interesses da sociedade como um todo costumam mofar nas gavetas do judiciário, como os expurgos do FGTS, os planos Collor e Sarney e as URPs, que causaram prejuízos enormes à população e aos aposentados em particular, mas ficaram mais de dez anos sem solução.

Eles nunca discutem as demandas da população, pois alegam que precisam ficar “isentos”. Isentos de que? De responsabilidade social? Por que essa gente não levanta a bunda da cadeira e entra nas discussões, sugere leis corretas, trabalha para que as coisas andem no Brasil? Por que não se integram à sociedade, fazendo algo a mais do que apenas incorporar o papel de semi-deuses e aumentar os próprios salários?

Está certo o ministro da Justiça, Márcio Thomaz  Bastos, quando afirma que a primeira reforma necessária no Brasil é a do Judiciário. Chega de privilégios, basta de arrogância e de injustiças.

Esses senhores e senhoras do primeiro escalão da justiça brasileira deveriam dar o exemplo de democracia e igualdade, mas com sua arrogância nada de bom nos legam. Será que se tivéssemos bons exemplos de cima aquela senhora que roubou um pote de manteiga estaria na cadeia, enquanto que o Maluf está para assumir mais um mandato na Câmara Federal? Esse é só um exemplo, pensem nisso.

 

Comente esta matéria

 


volte ao topo


 

Lula é Lula, Chavez é Chavez  

Aurélio Antonio de Medeiros

No início do primeiro mandato do presidente Lula, as vozes revolucionárias brasileiras gostavam de compará-lo a Nestor Kirchner, da Argentina, alegando que o de lá era melhor que o de cá. Agora, as mesmas vozes se erguem para afirmar que Chavez, da Venezuela, é quem representa os anseios da esquerda radical. Essa análise é rasa.

Não há como comparar a Venezuela com o Brasil, a começar pelas dimensões territoriais. Lá não existe o imenso parque industrial e a estrutura econômico-financeira que temos aqui. A economia venezuelana, como se sabe, é baseada quase que exclusivamente no petróleo, o que já é uma diferença absurdamente grande. O presidente de lá, com isso, não tem que lidar com a diversidade de demandas que temos aqui. Ou esses companheiros da esquerda radical esquecem que a saúde da economia como um todo é que garante os empregos e a estabilidade do País?

Outro ponto que eles louvam em Chavez (atacando Lula), é o enfrentamento com os Estados Unidos. Ora, qual foi o presidente brasileiro que enfrentou mais os interesses americanos? Lula estancou as negociações para implantação da ALCA, enfrentou e venceu os EUA na Organização Internacional do Comércio, abriu diálogo com os países do Oriente Médio e está trabalhando para fortalecer o Mercosul. Isso não é enfrentamento? Enfrentar seria apenas fazer discursos inflamados?

Vamos falar sério, gente. As políticas sociais de Chavez são muito semelhantes às de Lula, pois visam a classe menos favorecida. O que dá mais visibilidade ao presidente venezuelano é a sua política de comunicação, essa sim melhor que a de Lula. Chavez criou e fortaleceu a televisão pública e mantém a população informada de tudo o que acontece. Lula, ao contrário, ainda não implementou uma política de comunicação que contraponha a mídia conservadora de direita que temos no Brasil. Precisa fazer isso, com urgência, para democratizar a informação.

Mas mesmo que a informação no governo Lula fosse irretocável, os radicais não ligariam para ela, porque para eles o que importa é fazer oposição, independentemente de quem esteja no governo. Daqui a pouco eles arrumam outro herói da vez, quem sabe Evo Morales ou outro presidente que esteja em destaque.

Para eles o que vale é o discurso.

 

Comente esta matéria

 


volte ao topo


 

 

 

 

 

Comparações políticas exigem seriedade e cuidado

 

A luta política é cotidiana e infinda. Enquanto houver vida, haverá motivos para lutar. O mundo é feito de antagonismos e, estando em uma sociedade de classes, mais motivos teremos para empreender a luta e conquistar, a cada dia, novos companheiros e novas companheiras para nossa trincheira, cuja bandeira é a defesa inabalável dos direitos de trabalhadores e trabalhadoras.

Muitas vezes, essa luta nos levará a ver, no oponente, qualidades indesejáveis, como intransigência na negociação, por exemplo. Não podemos, entretanto, esmorecer e menos ainda nos deixar, nesses momentos, dominar pela emoção. A vitória só se conquista com persistência e confiança na justeza de nossas reivindicações.

A vitória não se conquista com o olhar sobre o passado, em comparações passionais, que não têm qualquer amparo na história. Seria o governo Lula, então, mil vezes pior do que outros, mesmo aqueles que mataram, torturaram, impondo, sobre o País, a longa noite escura da ditadura militar?

Será, companheiros e companheiras, que a comparação resiste à história? Podemos afirmar, com convicção, que os generais que nos tiraram a liberdade durante 21 longos anos foram melhores patrões do que o atual Governo civil, eleito democraticamente por ampla maioria dos brasileiros?

Se vamos olhar para trás e fazer essa análise, é melhor abrir bem os olhos. Só assim seremos capazes de tirar do baú da história informações imprescindíveis à compreensão do que foi a ditadura militar no Brasil. Se não, vejamos:

  • Foi na ditadura que houve a edição do Ato Institucional nº 5, o famigerado AI 5 que, entre outras barbaridades, fechou o Congresso Nacional, deu poderes absolutos ao presidente da República, autorizando o governo a cassar, perseguir e vigiar qualquer pessoa que eles – os generais – considerassem inimigas da “revolução”.

  • Em seu artigo 6º, parágrafo 1º, por exemplo, está escrito, textualmente, o seguinte: “O Presidente da República poderá, mediante decreto, demitir, remover, aposentar ou pôr em disponibilidade (...) empregados de autarquias, empresas públicas ou sociedades de economia mista (...).

  • Foi também na ditadura que milhares de brasileiros e brasileiras foram calados pela força da tortura e da morte apenas porque lutavam pelo sonho de fazer deste um País livre.

  • Milhares de famílias brasileiras foram destroçadas pela violência injustificável da ditadura militar.

  • Devemos a ela, esse sistema policial que ainda mata e tortura sem que a sociedade tenha ainda conseguido responder a isso.

  • É mérito também da ditadura o desmonte do ensino público com a reforma efetivada a partir da década de 1970.

  • Foi na ditadura militar que aconteceram, no Rio de Janeiro, as remoções de favelas de áreas nobres para a periferia, submetendo milhares de famílias a humilhações pelo simples fato de serem pobres e favorecendo a degradação social.

  • Devemos ainda à ditadura militar, a supremacia norte-americana sobre a cultura brasileira, que se estendeu por anos, ainda hoje faz seus estragos e só não nos aniquilou graças à força de nossas raízes culturais.

  • A ditadura militar no Brasil impôs a censura e empurrou vários de nossos grandes artistas para o exílio.

  • A ditadura militar espancou e prendeu trabalhadores em greve que defendiam direitos legítimos.

  • A ditadura militar matou o jornalista Vladimir Herzog e o operário Manuel Fiel Filho. E eles eram apenas trabalhadores.

  • A ditadura militar aparelhou as estatais brasileiras, transformando-as em cabides de emprego

  • A ditadura nos legou a inflação galopante que atrasou o País

A lista é extensa e muito mais se poderia dizer sobre os desmandos da ditadura militar brasileira. Daria para encher um livro. Aliás, há vários livros sobre o tema. Se dúvidas há, vale a pena consultar a história antes de nos deixarmos levar pela esparrela frágil de comparações que não se sustentam.

Está ruim? Talvez, mas temos liberdade para lutar, para gritar e até para fazer greve sem medo de apanhar ou ser jogado em uma cela qualquer de um porão da ditadura.

Será que a ditadura era melhor?

Comente esta matéria

 


volte ao topo



voltar

TRAQUIMFAR - Rua Andrade Figueira, 206 - Madureira - Rio de Janeiro/RJ - PABX/FAX: (21) 3479-7500
Opiniões, críticas, denúncias e dúvidas:
unidade@traquimfar.org.br  - Jornalista Responsável: Jussara Magalhães

© Copyright 1999-2006 - TRAQUIMFAR - Todos os direitos reservados