Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas, de Tintas e Vernizes, Sabão e Velas e de Material Plástico/RJ
Filiado à CUT


 
Ano I - No 7 - abril/2006

Editora: Jussara Magalhães


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Delegacia Regional do Trabalho do Rio de Janeiro

Em nome da ética e da competência, e pelo bem dos trabalhadores, queremos a nomeação da delegada Lívia Arueira 
como titular da DRT-RJ


Sindicalista é assassinado


Política de comunicação 
ineficiente faz do governo Lula refém da imprensa marrom
e da oposição de direita


CUT: Opção preferencial pelos mais pobres e humanização do mundo do trabalho

 

Delegacia Regional do Trabalho do Rio de Janeiro

Em nome da ética e da competência, e pelo bem dos trabalhadores, queremos a nomeação da delegada Lívia Arueira como titular da DRT-RJ

O escândalo da corrupção na Delegacia Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, que culminou com a operação da Polícia Federal que pendeu 56 auditores fiscais e agentes administrativos, era uma antiga denúncia do movimento sindical responsável. Não tínhamos detalhes, mas sabíamos que a DRT-RJ era um antro de corrupção.

Felizmente nossas denúncias foram ouvidas e as investigações, embora demoradas, culminaram na prisão dos criminosos.

As investigações, segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, iniciaram-se em maio de 2003, por intermédio da Corregedoria do Ministério. O ministro ressaltou, porém, que as fraudes ocorriam há décadas na DRT do Rio de Janeiro, e que neste governo o Ministério do Trabalho obedeceu à determinação do presidente Lula para apurar com rigor todas as denúncias. “As investigações são resultado de um processo de combate à corrupção que o governo Lula determinou”, declarou Marinho.

Agora a nossa reivindicação é pela priorização da ética na DRT-RJ, pois não podemos mais conviver com esquemas espúrios que prejudicam os trabalhadores. E temos certeza de que a ética e a justiça, assim como a melhor solução técnica, é a efetivação da auditora Lívia Arueira como titular do órgão.

Lívia Arueira substituiu no ano passado Henrique Pinho, indicado para o cargo em 2003 pelo então deputado Roberto Jefferson, cassado após o início da crise do mensalão. Desde então a auditora colaborou com a Polícia Federal e o Ministério Público para o desmantelamento da quadrilha que, há anos, vinha tungando o bolso dos trabalhadores.

Compromisso com a normalização do atendimento à classe trabalhadora

Lívia Arueira, em reunião com as centrais sindicais e os sindicatos do estado do Rio de Janeiro, informou que, em função do afastamento dos fiscais, algumas atividades podem ser prejudicadas. O setor de homologações, por exemplo, está com déficit de pessoal e a delegada solicitou que os próprios sindicatos se encarreguem desta tarefa para diminuir a sobrecarga da DRT. Lívia comunicou que já solicitou ao Ministério do Trabalho, em Brasília, que envie auditores para capacitarem sindicalistas para fazerem homologações.

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Sindicalista é assassinado

Na última segunda-feira, 10 de abril de 2006, por volta de 8h, dois tiros no peito tiraram a vida de Anderson Luís, presidente do Sintrafrios (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Frios do Rio de Janeiro).

Além de sindicalista cutista, que lutava pela independência sindical, Anderson era um combatente por justiça, contra o racismo e toda forma de opressão. Filiado ao PT, membro da Corrente o Trabalho, Seção Brasileira da IV Internacional.

O seu corpo ficou por mais de 6 horas abandonado na rua, tendo sido levado para o IML depois das 14h30, numa demonstração de total descaso das autoridades públicas numa situação tão trágica.

Os fatos precisam ser apurados de maneira precisa e os culpados, devidamente punidos.

No dia 19 de abril foi lançado um comitê, formado por sindicalistas, parlamentares e ativistas pela democracia e pela justiça, para acompanhar e cobrar a apuração dos fatos. Este crime agride todo o movimento dos trabalhadores.

Exigimos que toda a verdade sobre o bárbaro assassinato de Anderson apareça!

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Política de comunicação ineficiente faz do governo Lula refém da imprensa marrom e da oposição de direita

 

Aurélio Antonio de Medeiros*

 

Para reflexão de parlamentares e militantes

Companheiros e companheiras,

Nós, militantes experientes, temos consciência do poder da comunicação, ainda mais nesses tempos de satélites, internet, telefones celulares e câmeras digitais. Aconteceu aqui, a notícia imediatamente atravessa qualquer fronteira. Isso é bom, necessário e imprescindível para o avanço do conhecimento, da informação e da própria democracia. É coisa de gente grande, responsável e competente.

O problema, companheiros, é quando de um lado temos, por parte da oposição de direita e da imprensa conservadora, estratégias de comunicação competentes e nem sempre éticas; e, de outro, o nosso nesse caso, o que existe é a reação fraca a notícias plantadas, factóides e mentiras deslavadas. Isso, infelizmente, é o que temos assistido nesses quase quatro anos do PT no governo.

Temos que admitir, como militantes que lutam todos os dias, que o governo tem sido incompetente na sua política de comunicação, e nós temos denunciado isso desde 2003, meses após a posse. No governo Lula a comunicação em sua forma de notícia, de esclarecimento, tem sido substituída por campanhas marqueteiras, por informações de fachada e, no limite, quando não há mais o que fazer, entra em cena a comunicação reativa, ou seja, a resposta, o esclarecimento, a justificativa. Falta, portanto, uma grande dose de proposição nas formas de comunicar.

O  governo Lula (e a esquerda toda, é bom que todos e todas prestem atenção nisso), tem sido bombardeado por todos os lados, todos os dias, de maneira sistemática e desigual por parte da mídia. Vemos um companheiro ou companheira falando de uma questão por um minuto ou dois, enquanto que a oposição ocupa 30, 40 minutos e até uma hora para falar o que bem entende.  

Cadê o nosso direito de defesa, que não está sendo exigido nem exercido?  Não estamos vendo uma comunicação que previna estes ataques ou, no mínimo, responda à altura no momento certo, exigindo o mesmo tempo e/ou espaço que a oposição de direita  tem  para falar os absurdos que tem falado.

Falta, e repetimos isso há quatro anos, algum órgão que monitore esses ataques e ocupe os espaços de debate na grande mídia, escrita e falada. Estamos cansados de ouvir debatedores nas emissoras de rádio e televisão falarem o que bem entendem, misturarem assuntos diferentes como se tudo no Brasil hoje fosse um barril de corrupção inventado pelo Partido dos Trabalhadores, sem que nenhuma voz do nosso lado esteja presente para fazer o contraponto. A mensagem que chega ao povo é que o bom, o honesto, é o neoliberalismo de criaturas como Bornhausen, ACM Neto, Arthur Virgílio, José Serra, FHC e outros.

Esta situação, além de desalentadora, está minando a fé do povo e da própria militância. Estamos cansados de defender o governo e ver, dia-a-dia, a elite e a imprensa de direita deitando e rolando sem uma reação à altura. O povo já fala aqui e ali que, se não há resposta por parte do governo, é porque ele tem culpa no cartório. E isso por que? Porque a comunicação é ruim, é incompetente e não ocupa os espaços que deveria ocupar. Cabe portanto ao governo exigir,  dos nossos “papas” da comunicação oficial,  que tomem a iniciativa de informar a população e responder pronta e imediatamente, na hora, sem demora, às afirmativas daqueles que se dedicam, noite e dia, a lançar dúvidas quanto à viabilidade do governo PeTista e dos projetos da esquerda em geral, abrindo espaço cada vez maior para os neoliberais venderem suas mentiras para o povo.

Não podemos permitir que a direita avance e ocupe o poder por mais trinta anos, como é o desejo da elite e da imprensa conservadora. Os fatos, por mais doloroso que seja admitir, existem e devem ser tratados com mais competência e menos marketing. Queremos uma reação firme e objetiva, que desmascare essa manipulação da direita e mostre ao povo a verdade dos fatos.

Saudações Sindicais,

*Aurélio Antonio de Medeiros é dirigente sindical e militante do Partido dos Trabalhadores

 

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CUT: Opção preferencial pelos mais pobres 
e humanização do mundo do trabalho

João Felício

A luta pela sobrevivência dentro de um mercado cada vez mais estreito, muitas vezes tomado por monopólios estrangeiros que por aqui se instalam com condenáveis práticas anti-sindicais e anti-trabalhistas, tem feito com que muitas empresas adotem a lei da selva como constituição, na tentativa de se sobrepor à concorrência e aumentar seus lucros. Os perversos reflexos de tais condutas nas condições de sobrevivência da classe trabalhadora como um todo é visível, o que força nossa Central a radicalizar sua opção preferencial pelos mais pobres.

Longe de ser uma declaração de intenções, este deve ser um compromisso político-ideológico da militância cutista: priorizar ações ao lado das categorias mais vulneráveis às pressões e chantagens do capital e de governantes autoritários, que vêem o trabalhador como um mero apêndice, objeto descartável. A bem da verdade, uma concepção muito semelhante à expressa pelos senhores de engenho em relação aos escravos, “o instrumento que fala”. Se antes esses senhores viam na mão-de-obra um objeto dotado da capacidade da linguagem, restrito obviamente ao monólogo, a sempre dizer amém às suas verdades e vontades, reservando aos que se negassem a tais infortúnios o pelourinho, a chibata, o enforcamento e o esquartejamento, hoje negam o direito à Organização no Local de Trabalho e tentam impedir a qualquer custo uma redistribuição mais justa da riqueza.

O duro é que passados tantos anos, mesmo no interior de São Paulo, o Estado mais rico da nação, trabalhadores rurais estejam morrendo por estafa nas plantações de cana-de-açúcar, o que obrigou o Ministério Público a adotar sanções contra as empresas e ampliar a fiscalização para pôr fim a esses abusos. Este é um dos muitos exemplos emblemáticos sobre a dura realidade do mundo do trabalho e, mais do que servir de reflexão, deve ser um guia para nossa ação coletiva.

Mesmo segmentos de espetacular lucratividade, como os bancos, mantêm sobre seus funcionários formas e fórmulas de exploração pouco ou nada condizentes com o peso que passaram a obter na economia nacional, ao navegarem no oceano dos juros e do elevado superávit primário. Em todos os rincões do país, a construção civil continua sendo a recordista em mortes por acidentes de trabalho, e ainda não é reconhecido o seu caráter de periculosidade, o que garantiria uma aposentadoria digna a seus operários. A indústria moveleira continua mutilando, com números trágicos que se revigoram nos momentos de pico da exportação. Mineiros, gráficos e urbanitários são muitas vezes submetidos a condições insalubres e penalizados pela precarização e terceirização. A indústria de alimentação, em particular a avícola, com seu ritmo de trabalho intenso, espraia lesões por esforço repetitivo e doenças ocupacionais. Metroviários, ferroviários, portuários e motoristas se arriscam em indecentes condições de trabalho; carteiros e trabalhadores da educação e da saúde viram presa de estafantes jornadas; o setor do vestuário é atingido pelas importações e deslocamento de empresas. A agricultura familiar enfrenta-se de forma heróica contra a opulência e as facilidades granjeadas pelo agro-negócio. Metalúrgicos de pequenas indústrias e trabalhadores químicos ficam destituídos das expressivas Participações nos Lucros e/ou Resultados conquistadas nas empresas com maior nível de organização. Trabalhadores no comércio buscam o direito ao descanso semanal remunerado ao lado da família e dos amigos aos domingos, enquanto grandes redes tentam impor jornadas absurdas e salários aviltantes. Servidores municipais e estaduais ficam à mercê do bom humor de prefeitos e governadores, cujo comportamento muitas vezes não destoa dos antigos senhores feudais. O funcionalismo público federal levanta a voz em busca de uma mesa de negociação que funcione adequadamente e sejam respeitados os acordos firmados. Aposentados e pensionistas ampliam o coro em defesa de justiça e dignidade a quem tanto suou pelo país...

O encontro que tivemos recentemente com a nova coordenadora da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Laís Abramo, onde estabelecemos parceria para atender os assalariados rurais nas plantações de cana é um passo na direção de uma CUT cada vez mais ligada com os mais humildes e necessitados.

Temos consciência do poder de fogo de determinadas categorias como metalúrgicos, professores, bancários e petroleiros, tanto em termos de Sindicatos, Federações e Confederações, quanto no interior da nossa Central. São exemplos bem sucedidos de luta e conquista, de maior comunicação com a base e interlocução com empresários e governos, que devem passar a ser a regra e não mais a exceção. Estender ao conjunto das categorias, ramos e estados, os avanços obtidos, esta é a nossa luta, contribuição que será decisiva à construção de um Brasil soberano, justo e igualitário.

*João Felício é presidente da CUT Nacional

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